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O perfume da noite azul que vem chegando
Penetra em nós, espalha em nós este langor...
Anda o silêncio pelas coisas...O ar é brando...
E o perfume da noite azul que vem chegando
Cada vez é mais vago e mais perturbador...
Nossa janela dá para a beira do rio.
As águas levam folhas mortas, devagar...
E o perfume da noite azul, pelo ar macio,
Como que vem das águas lânguidas do rio...
Olha lá o luar!!! Vem talvez do luar.
E ficamos a ver, de bruços na janela,
A paisagem que escureceu. Este langor...
Oh! Perfume da noite azul, da noite bela!
Enervante... delicioso... perturbador...
Escuta minha pequenina noite bela,
Perdoa esta infantilidade: " Meu amor..."
Ribeiro Couto
Há uma cidade na França, Grasse, que é o centro da indústria mundial de perfumes desde o século XVI. Muitas casas de perfumes fundadas nos séculos XVIII e XIX ainda funcionam, embora hoje os perfumes de Grasse sejam feitos de flores importadas ou essências químicas. Na cidade ainda é possível visitar o Musée Internationale de la Parfumerie.

"Perfumei a minha cama com mirra, aloés e canela. Venha, vamos embriagar-nos de carícias até o amanhecer"
(Provérbios 7: 17)
"A alma cigana perfuma o lugar por onde passa!"

Egito: a origem
A busca pelo divino marca a história do Homem. Os mais antigos cheiros conhecidos são os da fumaça que exalava da queima de madeiras, especiarias, ervas e incensos. Essa prática explica a origem latina da palavra perfume: per (através) e fumum (fumaça), através da fumaça. A origem do perfume se deu a partir de 3.000 a.C., no esplendor da civilização egípcia. Os egípcios eram politeístas, ou seja, adoravam vários deuses, e os homenageavam em ricos rituais. Acreditavam que seus pedidos e orações chegariam mais rápido aos deuses se viajassem nas nuvens de fumaça aromática que subiam aos céus. Acreditavam na reencarnação, e reservavam as fragrâncias também aos mortos. Grande quantidade de aromas acompanhava a passagem desta para outra vida, ao encontro com os deuses, e o corpo do morto devia ser conservado tão inalterado – e perfumado – quanto possível. Mirra, musgo de carvalho, resina de pinho, entre outros ingredientes com propriedades anti-microbianas, eram utilizados no ritual de mumificação, cujos incríveis resultados são admirados até hoje.
Cleópatra (69 – 30 a.C) era conhecida por seus banhos perfumados e seus cuidados com a pele e beleza, sempre explorando matérias-primas curativas, composições como o kyph e óleos aromáticos como o de rosas.
Reza a lenda que suas conquistas amorosas resultavam não somente de sua beleza, mas também do envolvimento de seus amantes em seus aromas sedutores.
Segundo alguns, a rainha do Egito ordenava que colocassem essência de rosas nas velas de seu barco para que sua presença, ao navegar pelo rio Nilo, fosse notada.
Durante o período do Império Romano, Júlio César (100-44 a.C) e Marco Antônio (83-30 a.C) apaixonaram-se por Cleópatra (69-30 a.C), considerada uma expert na arte de se perfumar e seduzir.
Trinta anos após a morte da rainha do Egito, Jesus Cristo recebeu incenso e mirra, além de ouro, como presentes ao nascer.
Quase vinte anos após sua morte, romanos aperfeiçoaram a arte de fabricação do vidro e fizeram grandes importações de incenso e mirra do Oriente.
"Somos para Deus um bom perfume"
(2 Coríntios 2:15)